Es mostren els missatges amb l'etiqueta de comentaris Criação (Poesia). Portuguès. Mostrar tots els missatges
Es mostren els missatges amb l'etiqueta de comentaris Criação (Poesia). Portuguès. Mostrar tots els missatges

diumenge, 27 de juny del 2021

XII


Como o seu irmão, você nunca foi

um dos primeiros a deixar a escola,

você tinha dificuldade em sair da sala.

Impaciente, desde o canto assistiu anónimo

como as crianças reencontravam-se com os seus pais,

e ouviu as conversas dos vários grupos de alunos.

E você, é o penúltimo a sair todas as tardes.

No caminho para casa, você me implorou

para falar sobre os avós,

da cidade da minha infância

e você, consumiu com um guloso, como se fosse um sorvete de morango.

Juntos, sem perceber, delineando

o plano mágico de Pouet,

uma vila onde os seus habitantes, entre lágrimas

na noite de 7 de agosto, levantassem os trilhos do trem

que cruzou a área urbana de sul a norte.

 

Do livro Quadern para meu fillho Arnau, Manel Alonso i Català (Editorial Neopàtria, 2020). Tradução para o português de Santi Zorio.

 

divendres, 23 de març del 2018

EVOCO



Evoco as canções
que acompanharam as longas fileiras de caravanas
à conquista d’um espaço em alvo,
e novamente volto a sospesar a intensidade de cada palavra.

Ando noite e dia por uma paisagem inventada
enquanto penso nas horas esmagadas e lançadas à lixeira,
também nas outras onde tomavam corpo e alma
seres com os quais joguei a forjar ficções plausíveis.

Evoco e me lambo as feridas como um gato velho
que, altivo e arrogante, nega-se a assumir as derrotas.

Evoco e escrevo com ânimo de vingança com as garras d’um gato.

****
Tradução de Santi Zorio

dimecres, 3 de juliol del 2013

CRÔNICAS DO INFERNO


A alegria no país onde reina a falácia
provoca uma estranha cegueira nos seus habitantes.
Durante caem as lascas
dos fogos de artifício o pensamento crítico se exila,
os predicadores laicos
param de escrever sermões da razão
e agora só choram dos tronos mediáticos
o playback do discurso dominante
fornecido pelas agências do poder.
Os sorrisos e os risos da gente
justamente no meio da orgia da superficialidade
são a careta apática
duma comunidade insensível que permitiu
que os ladrões pusessem a caverna nos palácios do governo.

Escreves para o silêncio pensando num tempo
em que nos seja devolvida a esperança.
Escreves a crônica dum carnaval de despropósitos 
do inferno que habitas.

Tradução do poema Blai Fuentes Benito. Poema de Manel Alonso i Català.

diumenge, 9 de gener del 2011

MULHER


Mulher, o galante e amável cavaleiro que tu amas

e o dragão que pensas sinuoso e atormentado que temes

é um monstro com duas cabeças capazes das carícias mais ternas

gerador igualmente de uma violência cruel e súbita.


Mulher, a tua casa é uma caverna hipotecada

uma caverna escura e amarga, lua eclipsada

onde estás preso a uma corrente com elos invisíveis

difícil de sair, impossível de quebrar.


Mulher, a estima e o medo, o ódio e a decepção fornicam

enchendo a cabeça com borboletas enlouquecidas

enquanto as migalhas de amor azedam no ressentimento

no chão que tu caminhas.


Mulher o paraíso é o escape perfeito inacessível

o purgatório, o habitáculo onde mastigas a pena

os limbos, o sulco onde morre a alegria

o inferno, de azul infligido na tua pele.

************
Tradução do poema de francês para português: Helena Branco